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Carvalheira na Ladeira avança na acessibilidade, mas ainda limita a experiência de pessoas com deficiência

Três homens em cadeiras de rodas, de costas, celebram com copos para o alto. Vestem camisas amarelas e estão diante de uma grade com tecido colorido. Ao fundo, palco com o letreiro Carvalheira na Ladeira e cobertura geométrica.

Apesar de melhorias na estrutura e no transporte, pessoas com deficiência ainda enfrentam desafios para vivenciar o festival com autonomia e inclusão

Considerado um dos maiores carnavais privados do Pernambuco, a edição 2026 do Carvalheira na Ladeira ofereceu, como de praxe, uma ampla estrutura com diversos palcos e atrações nacionais e internacionais, open bar com bebidas de qualidade, cenografia temática e uma superprodução que é responsável por atrair foliões de todo o Brasil. Contudo, para as pessoas com deficiência, a experiência na folia ainda esbarra em barreiras atitudinais e comunicacionais, o que prejudica a participação social do folião e a garantia de direitos. 

Para viabilizar o acesso seguro à pessoa com deficiência no evento privado, o Carvalheira ofereceu a possibilidade de deslocamento através do PE Conduz, programa do Governo do Estado, que dispõe vans adaptadas para o transporte gratuito de pessoas com deficiência física e com mobilidade reduzida, assegurando o deslocamento com segurança e conforto. A repórter Pâmela Melo, da equipe do Portal Eficientes, teve acesso ao serviço e fez o deslocamento do bairro x até o Parque Memorial Arcoverde, em Olinda, endereço do evento. 

Ao chegar ao local, a jornalista constatou que o festival contava com uma estrutura adaptada, como rampas de acesso, banheiro adaptado e emborrachado no piso, que facilitava a circulação pelo espaço e garantia autonomia. Para ela, o transporte foi de grande acerto e a estrutura surpreendeu positivamente. No entanto, apesar do evento contar com diversos palcos e shows simultâneos, o camarote da acessibilidade foi posicionado com acesso apenas ao palco principal, numa distância significativa dos outros espaços de apresentações musicais, comprometendo a visibilidade dos foliões com deficiência. “O espaço reservado para pessoas com deficiência era muito baixo, tão baixo que simplesmente não dava pra ver o show. Em um festival onde o palco é o centro de tudo, não enxergar a apresentação compromete totalmente a experiência”, destacou Pâmela, que utiliza cadeira de rodas. “Apesar de ter um ponto de acesso às bebidas ao lado do camarote da acessibilidade, o pleno aproveitamento dos shows foi um pouco comprometido. A sensação é de estar presente, mas não incluída de fato”, completou Pâmela. 

Os shows realizados no palco principal contaram com a presença de intérpretes de libras, permitindo maior acesso à informação às pessoas surdas. Além disso, a praça de alimentação ofereceu cardápios com audiodescrição por meio de QR Code, facilitando o acesso ao conteúdo utilizando o celular. No entanto, o evento não disponibilizou cardápios em braile para pessoas com deficiência visual, tampouco ofereceu audiodescrição em tempo real das atividades do festival, o que limitou a acessibilidade de forma mais ampla para este público.

Em mais um ano, o Carvalheira na Ladeira evidencia sua grandiosidade pela estrutura e por algumas decisões e estratégias voltadas à inclusão de pessoas com deficiência. Mas, como a maior parte dos eventos privado e público, no que diz respeito à acessibilidade, especialmente sobre a mobilidade e a circulação interna no evento, ainda é uma barreira importante a ser vencida. “É fundamental compreender que inclusão não se resume ao cumprimento de protocolos. A acessibilidade é o que, de fato, assegura a participação plena, com autonomia e igualdade de condições. É ela que transforma o carnaval em uma experiência verdadeiramente coletiva. Sem acessibilidade, não há inclusão. E, sem inclusão, o carnaval deixa de ser uma festa para todos”, reforçou Pâmela. 

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